O design, os óculos e o luxo – II
Os Óculos
Dando sequência a nossa série de artigos sobre “O Design, os óculos e o luxo” vamos hoje falar sobre o elemento central da trilogia, os óculos (você pode ler a primeira parte aqui: https://brazilcomex.com.br/o-design-os-oculos-e-o-luxo/).
Falando de momentos da trajetória histórica do surgimento dos óculos e de sua evolução na sociedade mas não com a intenção de ser um compêndio detalhado ou enciclopédico do assunto, e sim voltarmos, literalmente, nosso olhar a esse instrumento tão importante para boa parte de nós.
Há registros muito antigos do surgimento dos primeiros óculos que remontam ao século I, dando conta de que o imperador romano Nero usaria “pedras de leitura” até mesmo para assistir as lutas de gladiadores.
Com mais frequência, surgem no século XIII menções mais frequentes de uso por monges de artefatos de leitura.
O fato é que até então, a presbiopia é que levou as pessoas à busca de algo que lhes resolvesse a dificuldade para ler. Estamos falando de indivíduos abastados, com acesso a esse recurso, já que os livros por si só eram pouco acessíveis e raros.
É também no século XIII, na ilha italiana de Muraro que surge uma proeminente arte de fabricação de lentes para correção da visão. Em Muraro, já existiam os mestres vidreiros, os cristalleri, que guardavam os segredos da produção dos vidros e cristais, sob pena de morte se sequer deixassem o local.
Foram os cristalleri que fizeram a proeza de unir duas lentes montadas em aros de madeira por um rebite, apoiando o instrumento no nariz, nasce aí um rudimentar modelo pince-nez.
O passo seguinte, já na Alemanha, foi a substituição dos aros de madeira por chumbo e a criação das primeiras hastes que se assemelham ao conceito atual.
Daí para frente ao longo das décadas e séculos seguintes a evolução continua com a introdução de muitos materiais como couro, casco de tartaruga, chifre, osso de baleia, ferro, prata e bronze na confecção do artefato.
No final do século XIX começa a surgir o acetato de algodão como opção de material, que se torna altamente viável e confiável por volta dos anos 1940. Hoje com 175 anos de existência, a Mazzucchelli é líder global de produção de acetato para a indústria ótica.
Creio que é nessa época e com tal material disponível, que os artesãos óticos recebem o grande presente dos deuses da criatividade e do design, por assim dizer.
O acetato, enquanto material, é leve, flexível e robusto, hipoalergênico e resistente o bastante para soltar as amarras da criatividade aliada a durabilidade, usabilidade, leveza e conforto.
Ainda assim, por muito tempo, o uso dos óculos era motivo de chacota, rejeição, dentre outros comportamentos sociais inadequados, que o digam os fãs do Paralamas do Sucesso (Óculos – 1980) e do Raul Seixas (Quem não tem colírio – 1974).
Brincadeiras a parte, ao longo de todo o século XX e nos últimos 25 anos também, os óculos ultrapassaram fácil a limitação de serem instrumentos de correção da visão.
Os investimentos das indústrias fabricantes de lentes têm sido constantes no desenvolvimento de materiais, técnicas produtivas e do design de modelos de lentes que elevaram em muito a gama de possibilidades disponíveis ao público, desde as soluções mais simples e acessíveis até as mais tecnológicas e exclusivas.
Acima de tudo, os óculos são hoje um elemento chave nos hábitos de consumo das pessoas.
Se até décadas atrás a escolha era entre um preto ou um marrom, um quadrado ou um redondo, hoje são milhares e milhares de cores, materiais, formatos, tecnologias, origens e outras tantas características que compões o roll de opções para se escolher!
Me lembro como se fosse hoje, ao visitar minha primeira feira ótica fora do Brasil, de olhar em volta, e diante do gigantismo do evento e da enorme quantidade de fabricantes e coleções de óculos, de me dar conta de como a indústria evoluiu nesse quesito: dar opções ao consumidor.
Provavelmente nunca houve tantas possibilidades como agora.
E é nosso papel enquanto profissionais do ramo ótico darmos o nosso melhor para fazer chegar ao nosso querido consumidor e cliente toda a informação, atenção e cuidados necessários para que a escolha feita atenda não só aos critérios estéticos mas principalmente técnicos em cada atendimento.
Para muitas pessoas a escolha passa por critérios como marca, marketing, fama, reconhecimento, ostentação; para outras tem a ver com origem, processos, materiais, herança cultural ou social, tradições.
Seja qual for o caminho adotado pelo cliente, há sempre uma importância crucial no nosso trabalho – informar, orientar, educar e por que não, encantar!
Nesse ponto, assim como no post anterior, volto a falar do Storytelling. Dá pra falar muito sobre Storytelling, e certamente vou fazer um post exclusivamente sobre esse tema, ou talvez vários deles, de tanto que acho importante o tema.
O fato é, resumidamente, que a arte do Storytelling, contar histórias, é a forma mais eficaz de criar a conexão humana entre você, o cliente e o produto, levando-o a uma decisão que fará muito sentido pra ele.
O Storytelling conquista corações e mentes. As conexões criadas são essenciais pois tornam ideias comuns em verdadeiras viagens memoráveis.
A informação sobre virtualmente qualquer coisa está disponível na palma de nossas mãos o tempo todo. Basta querer pesquisar, e não estou falando só do Google.
Mas certos detalhes, percepções, emoções, só vamos conseguir passar ao cliente se formos um pouco mais fundo.
Isso pode estar num treinamento online do fornecedor, uma apresentação de produto de um representante ou em uma conversa com um colega mais experiente. Está lá. Basta pegar e usar.
O Storytelling é um componente importante da venda que usa informações factuais sobre marcas e produtos e as veste de experiencias, memórias, conexões e emoções humanas.
Na minha humilde opinião, entretanto, o conhecimento técnico, as habilidades profissionais e a transparência com que lidamos com os questionamentos do cliente diante de nós nos conferem a autoridade no assunto; a confiança inabalável do cliente na nossa capacidade de oferecer a ele a melhor solução, a melhor orientação frente a tantas escolhas.
E então a mágica acontece; o conhecimento, a autoridade, o Storytelling, a conexão. Não tem como errar. Tudo se encaixa.
Até o próximo post!
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Alguns textos que eu li na preparação desse post:
https://www.conversion.com.br/blog/storytelling-o-que/
https://ceticismo.net/ciencia/uma-brilhante-historia-sobre-os-oculos/9/
Detalhe importante: Esse post foi inteiramente elaborado sem uso de ferramentas de inteligência artificial, a partir de conhecimentos, experiencias, opiniões e conclusões do autor.

