O design, os óculos e o luxo
Seja bem-vindo(a) ao nosso blog! Acreditamos que esse seja um espaço adequado para a exposição de pontos de vista, compartilhamento de conhecimentos adquiridos e troca de experiências, sempre com o intuito de gerar reflexões individuais que agreguem algo positivo em nossas vidas profissionais e pessoais.
Nesta série de três posts vamos conversar um pouco sobre esses três temas e como eles se entrelaçam no nosso universo ótico.
Ainda que de forma branda, a proposta é lançar luz sobre assuntos extremamente amplos em todos os sentidos, buscando, em suma, provocar a reflexão pessoal de cada um sobre os mesmos e como o impacto chega às relações de consumo de bens e serviços.
O Design
O ano era 2023 e o mundo começava a retomar o movimento normal pós pandemia.
No nosso universo ótico, a primeira grande feira do ano estava abrindo suas portas novamente e há muito se esperava por isso.
A MIDO, como todos conhecem, tem por trás de si o coração industrial da Itália, Milão, como pano de fundo e palco mais do que pronto para receber tantas novidades, expositores e visitantes ávidos por percorrerem com olhos brilhantes e atentos os pavilhões, ruas e stands da feira.
Ir a Europa mais uma vez é sempre uma alegria que se sobrepõe ao cansaço, stress e jet lag do longo voo, ainda mais quando na programação dá pra incluir um passeio diferente dos roteiros turísticos populares de Milão como a Via Montenapoleone onde se alinham uma ao lado da outra as maisons mais famosas e prestigiadas do mundo da moda, no coração do Quadrilátero da Moda.
Estamos falando do ADI Design Museum Compasso d`Oro. Localizado defronte a Piazza Compasso d’Oro no coração do distrito Chinatown num prédio dos anos 1930 que já abrigou uma garagem de bondes de tração animal e uma estação de distribuição de energia elétrica.
O ADI possui uma exposição permanente dos ganhadores do prêmio Compasso d´Oro desde 1954 até os dias atuais.
São mais de 2.300 produtos que receberam a premiação em alguma das edições bianuais ou uma menção honrosa pela sua inovação ou conceito desde produtos domésticos e de mobilidade a design de materiais e serviços, comunicação, inovação social, negócios, design de alimentos e pesquisa teórica e crítica.
A esta altura você pode estar se perguntando: o porquê de tanta eloquência pra falar de um museu que celebra um universo gigantesco de produtos, artefatos, móveis, carros e muito mais, e não de um museu dedicado aos óculos em particular como outros na própria Itália.
Esse é o ponto onde vamos chegar.
O design italiano tem raízes culturais profundas que se expandem pelas mais diversas áreas da atividade humana.
A era do renascimento trouxe à luz conceitos culturais e artísticos literalmente obscurecidos durante a idade média.
As principais artes da época – arquitetura, escultura e pintura foram impulsionadas a um nível sem precedentes, em que conceitos como simetria e proporção, humanismo, realismo e detalhe formaram a base dos valores estéticos e filosóficos da época.
Nesse período grandes mestres marcaram época e continuam até os dias de hoje a serem celebrados como gênios; Leonardo da Vinci e Michelângelo apenas para lembrar dois dos principais.
Percorrer o museu também é um passeio pelo próprio passado, pelo menos para quem já passou dos 50 anos de idade. Estão ali muitos objetos que as gerações mais novas, na melhor das hipóteses, já ouviram falar, mas que despertam memórias e histórias pra contar e recontar.
A interação no dia a dia com clientes e parceiros é enriquecida quando nos damos a oportunidade de conhecer e aprofundar os temas com conhecimento, cultura, contextualização e o que tanto se fala hoje em dia: Story Telling.
Esse termo nada mais é do que isso: enriquecer, informar, elevar e valorizar os benefícios de um produto tirando-o do lugar comum de sua simples e cotidiana utilidade e elevando-o ao nível de algo especial, pensado, projetado e produzido segundo os melhores conceitos e técnicas que o distinguem de todo e qualquer outro de similar funcionabilidade, verbalizando harmonicamente uma história (sim, com H mesmo) que entrelaça, informa, entretém e encanta o cliente.
O Story Telling bem utilizado não só mostra o conhecimento que temos sobre o produto, a empresa que o produz e os processos envolvidos na sua criação e motivação, mas nos propicia estabelecer uma conexão emocional do cliente com todo esse conjunto, seja por gostos e preferências, por histórico ou origem familiar semelhante ou a identificação com a proposta artística e de design.
Essa conexão bem estabelecida é fundamental no processo da decisão de compra e irá romper toda as barreiras existentes, uma vez que ela solidifica o conceito de alto valor do produto para o cliente.
O design está fortemente enraizado nas artes. Os materiais, as plataformas, as técnicas e os produtos podem mudar, mas os fundamentos das artes estarão sempre presentes e são a essência das criações de sucesso e reconhecimento.
Colocadas essas ideias na balança acredito que o diálogo com o próximo cliente sobre uma armação poderá ser muito mais interessante e até mesmo filosófico ao agregar os conhecimentos, valores e conceitos que cada marca apresenta no contexto de suas criações.
Na próxima vez que for a Itália reserve um tempo para o ADI, ou a qualquer outro museu europeu. Quem conhece bem o passado certamente sabe melhor definir seu futuro e como chegar lá.
Alguns textos consultados na elaboração dessa postagem incluem:
https://www.adidesignmuseum.org/en/compasso-d-oro/the-adi-compasso-d-oro-award/
Gostou? Comente! Não gostou? Comente também, me ajude a melhorar!
Detalhe importante: Esse post foi inteiramente elaborado sem uso de ferramentas de inteligência artificial, a partir de conhecimentos, experiencias, opiniões e conclusões do autor.


Uma resposta